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O que é estresse? Saiba tudo sobre esse mecanismo do corpo que pode causar problemas!

Existe uma dificuldade em fazer com que as pessoas deem a devida importância ao estresse psicológico e ao poder que ele pode ter sobre o corpo. [1] Afinal, o estresse no trabalho e na família são experiências cotidianas, mas é preciso pontuar a diferença entre situações episódicas e uma constância que é patológica. Vários dos sintomas de estresse só vêm à tona quando o quadro já está em um nível preocupante, caminhando para a cronicidade. [1][2][3]Continue a leitura para saber mais sobre o que é estresse.

O que é estresse?

Em 1956, o termo estresse passou a ser usado para definir os efeitos causados no corpo quando qualquer coisa ameaça o estado de homeostase, que é a capacidade de manter o meio interno constante, mesmo diante de mudanças externas. De forma mais direta, pode-se afirmar que o estresse é uma reação natural do corpo diante de situações que ameaçam o equilíbrio interno do organismo. [4] Os estressores, como são chamadas as fontes de estresse, podem ser externos ou internos. Ou seja, a causa do estresse pode vir tanto dos próprios pensamentos quanto de questões terceiras, como incertezas, sobrecarga de atividades e preocupações com prazos. [3]

O estresse pode afetar a vida pessoal e profissional

Na ótica social, viver sob estresse é preocupante por causa dos impactos que podem ser observados nos mais diversos âmbitos. O estresse compromete o bem-estar e interfere na relação do indivíduo com a família, trabalho e ocupação. Isso não o afeta apenas na própria saúde, mas também em seu funcionamento dentro da sociedade. [2][3]

É comum que a pessoa que vive com estresse crônico sofra com uma infelicidade na esfera pessoal, marcada por dificuldades interpessoais e relacionamentos afetivos conturbados. É por isso que os profissionais apontam o divórcio como um exemplo da capacidade que o estresse tem de afetar a vida pessoal do paciente. Já o estresse no trabalho é percebido por alto número de faltas e queda na produtividade. [2]

Os sintomas de estresse no corpo

A resposta do organismo ao ser exposto ao estresse pode ser dividida em três fases. [3] São elas:

1ª fase - alarme: esse estágio pode ser considerado como algo positivo, já que é nele que é obtida a ansiedade necessária para se preparar para a ação e responder à situação estressante. [3]

2ª fase - resistência: se o estresse não cessar, o organismo vai resistir ao desgaste sofrido. Quando a pessoa tem a energia necessária para enfrentar a situação, ela consegue se recuperar e sair da fase de estresse. Caso contrário, a reação pode avançar para o próximo estágio, que é o final e o mais drástico.[3]

3ª fase - exaustão: é quando o desequilíbrio interior atinge a forma mais acentuada. Os sintomas de estresse na fase de exaustão são impulsividade, falta de concentração, falha na memória e dificuldade para trabalhar. Nestes casos, o estresse já pode ser considerado uma patologia e deve ser tratado como tal, até porque há um grande risco de levar à depressão. [3]

O estresse recorrente e no longo prazo pode causar danos aos tecidos e levar ao desenvolvimento de doenças crônicas.[4] Doenças graves se tornam mais prováveis de ocorrer, como úlceras, hipertensão, psoríase, vitiligo, urticária crônica e infarto agudo do miocárdio. [3]

Ao atingir o nível de cronicidade, os principais sintomas de estresse são desmotivação, irritação, impaciência, dificuldades na vida pessoal, surgimento de doenças físicas, depressão, ansiedade e infelicidade generalizada. [2] Entre os incômodos físicos, o estresse pode causar dor de cabeça e dores musculares. Ambos os tipos de dores podem ser episódicos ou se desenvolver sob a forma de quadros crônicos. [1][5][6]

Estresse causa dor de cabeça

O estresse é uma das principais causas da dor de cabeça tensional, uma categoria de dor de cabeça diretamente ligada a fatores psicológicos. A cefaleia tensional pode ser engatilhada pelo cansaço e pela falta de sono, por exemplo, mas o estresse é o fator número um entre os relatos dos pacientes. A enxaqueca é outro tipo de dor de cabeça que tem uma relação imediata com a esfera emocional. O estresse é tido como um notável fator que leva à enxaqueca. [6]

O estresse causa dor de cabeça ou enxaqueca episódica, mas o quadro se torna ainda mais preocupante quando levamos em consideração que ele é capaz de gerar a cronicidade da doença. [5] Estudos mostram que o estresse é apontado como o responsável por causar a elevação da dor de cabeça episódica para crônica em quase metade dos casos. [7]

Tensão muscular é um efeito colateral do estresse

O estresse reduz o fluxo sanguíneo do corpo, o que resulta em tensão muscular. [8] É fato que a dor muscular é provocada principalmente por esforço físico excessivo, mas o fator psicológico como causador das lesões representa um desafio, porque as pessoas tendem a ser mais resistentes a reconhecer os danos físicos que o estresse pode ter sobre o corpo. [1] Funcionários que lidam com estresse no trabalho estão sob duplo risco, por serem mais propensos a sofrer de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, os chamados DORT. [9]

Quanto mais estresse, maior é a prevalência de sintomas osteomusculares entre os trabalhadores. Além da tensão muscular causada por movimentos manuais repetitivos, é preciso salientar o impacto que fatores psicológicos e emocionais têm sobre o trabalho. O estresse no trabalho pode ser resultado de sobrecarga de responsabilidades, falta de autonomia, baixo nível de satisfação profissional e falta de suporte social. [9]

Como aliviar o estresse

A psicóloga e especialista em teoria psicanalítica Pâmmela Lobo pontuou algumas estratégias de inteligência emocional para evitar o estresse no trabalho, em casa e no dia a dia em geral. São elas:

  • Buscar o sentido do seu trabalho, pois é preciso reconhecer que sua ocupação é importante;
  • organizar o tempo e estabelecer prioridades;
  • tentar manter um equilíbrio entre responsabilidades diárias e atividades que trazem prazer individual;
  • aprender a dizer não quando as demandas são excessivas para prevenir a sobrecarga;
  • reservar tempo e espaço para atividades de lazer.

Além dessas estratégias, existem práticas que podem ajudar a aliviar o estresse. O mindfulness, por exemplo, é uma prática que une técnicas de yoga, meditação e respiração, visando um melhor gerenciamento emocional. O objetivo é ampliar a capacidade de observar e controlar as emoções e os pensamentos no momento em que eles surgem para evitar o desenrolar dos efeitos colaterais negativos. [10] O mindfulness age no que é descrito como a primeira fase da resposta do organismo ao estresse, explicada anteriormente. [3] A técnica auxilia exatamente na ação de resposta a adversidades. [3][10]

Outra opção simples e efetiva é implementar na rotina o hábito de se alongar. O alongamento não apenas ajuda a aliviar o estresse em si, como também melhora as dores da tensão muscular - que podem ser causadas por fatores psicológicos. É uma forma de intervir duplamente nos incômodos. Também é recomendado combinar o alongamento com uma boa postura e exercícios de respiração para garantir mais efetividade. [8]

Por fim, a prática de atividades físicas oferece benefícios físicos e emocionais. Manter uma rotina de exercícios é capaz de melhorar a habilidade do sistema nervoso de mandar e receber mensagens, aumentar a resistência psicofísica, melhorar a sensação de bem-estar, trabalhar a autoestima e reduzir a fadiga, a ansiedade e o estresse. [11]

Se movimentar é uma excelente forma de liberar tensões, emoções e frustrações acumuladas pelo estresse. O recomendado para esse objetivo é uma atividade que estimule o sistema cardiorrespiratório. A caminhada é um ótimo exemplo de exercício leve a moderado que pode ser praticado por qualquer pessoa, independentemente da faixa etária. [11]

TAGS : Dor de Cabeca, Dor e sintomas

Referências:

[1] Farias SMC, Teixeira OLC, Moreira W, de Oliveira MAF, Pereira MO. Caracterização dos sintomas físicos de estresse na equipe de pronto atendimento. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2011 Junho; 45(3): 722-729. Acesso em 28/01/2021
[2] Sadir MA, Bignotto MM, Lipp MEN. Stress e qualidade de vida: influência de algumas variáveis pessoais. Paidéia (Ribeirão Preto). Jan. /Apr. 2010; 20(45): 73-81. Acesso em 28/01/2021
[3] Malagris LEN, Suassuna ATR, Bezerra DV, Hirata HP, Monteiro JLF, da Silva LR, et al. Níveis de estresse e características sócio biográficas de alunos de pós-graduação. Psicol. rev. (Belo Horizonte). Ago. 2009; 15(2): 184-203. Acesso em 28/01/2021
[4] Schneiderman N, Ironson G, Siegel SD. Stress and Health: Psychological, Behavioral, and Biological Determinants. Annu Rev Clin Psychol. 2005; 1: 607-628. Acesso em 28/01/2021
[5] Houle TT, Butschek RA, Turner DP et al. [5]Stress and sleep duration predict headache severity in chronic headache sufferers. Pain, 2012 Ago; 153(12), 2432–2440. Acesso em 29/01/2021
[6] Wöber C, Holzhammer J, Zeitlhofer J, Wessely P, Wöber-Bingöl Ç. Trigger factors of migraine and tension-type headache: experience and knowledge of the patients. J Headache Pain. 2006 Sep; 7(4):188–195. Acesso em 29/01/2021
[7] Cevoli S, Sancisi E, Pierangeli G et al. Chronic daily headache: risk factors and pathogenetic considerations. Neurological Sciences. 2006. 27: 168–173. Acesso em 29/01/2021
[8] Jesus, RS. Alongamento e Seus respectivos benefícios à saúde. Revista Gestão Universitária. Publicado online: 25 mai 2018. Acesso em 29/01/2021
[9] Almeida LMS, Dumith SC. Associação entre sintomas osteomusculares e estresse percebido em servidores públicos de uma Universidade Federal do Sul do Brasil. BrJP. 2018 Mar; 1(1): 9-14. Acesso em 29/01/2021
[10] Worthen M, Cash E. Stress Management. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan. Acesso em 29/01/2021
[11] Godoy, RF. Benefícios do Exercício Físico sobre a Área Emocional. Movimento. Maio-agosto 2002; 8(2), 7-15. Acesso em 1/02/2021

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