Qual é a relação entre a dor muscular, o estresse e o esforço? Vem ver!

Dor muscular: o que causa esse problema, ligado ao estresse e ao esforço?

A dor muscular é um problema bastante comum e pode aparecer tanto pontualmente quanto no dia a dia, de forma crônica. As dores nos músculos das costas, por exemplo, chegam a atingir entre 60% a 85% da população em algum momento ao longo da vida. [1] O esforço físico e o estresse emocional são dois fatores que estão presentes nas rotinas de muitas pessoas e que estão ligados ao surgimento da dor muscular. [2] Por isso, é importante entender como essa relação acontece. Confira!

O que causa a dor muscular?

A causa por trás do aparecimento da dor muscular é a ativação dos chamados nociceptores, receptores especializados em detectar estímulos capazes de prejudicar a saúde dos tecidos do corpo. Para chamar a atenção para os danos que esses estímulos podem causar, o cérebro provoca a sensação de dor. Esses receptores podem ser ativados por meio de estímulos mecânicos fortes, como traumas ou sobrecarga mecânica, mas também por neurotransmissores, como a serotonina. [1]

Dor muscular pode surgir após esforço físico

Aumentos momentâneos na potência dos movimentos corporais podem provocar estresse mecânico na fibra muscular que, consequentemente, danifica a célula muscular. Um dos efeitos desse dano é a sensação de dor. [3] Por isso, para evitar a dor muscular que surge como resultado do esforço físico, é preciso ter mais cuidado com a intensidade do que com a duração. Na prática, isso significa que é recomendado que o esforço seja mais longo e contido do que de grande impacto e curta duração.

A frequência também é um fator determinante para o aparecimento da dor muscular. Movimentar o corpo periodicamente é uma atitude capaz de aumentar a resistência dos músculos e minimizar as chances dos danos às estruturas, evitando a dor. [3]

É interessante observar que a dor muscular não se manifesta logo após a atividade física. O desconforto aparece, em média, oito horas após o exercício. A intensidade aumenta de forma progressiva nas primeiras 24 horas e atinge o pico até 72 horas depois. Já o declínio acontece entre cinco a sete dias, até desaparecer totalmente. [3]

Outros fatores que podem provocar dor muscular são os movimentos repetitivos e a permanência em posições estáticas, que estão presentes no dia a dia de algumas categorias profissionais, como os motoristas de ônibus. Um estudo realizado em Belo Horizonte, em Minas Gerais, constatou que 16,3% dos motoristas e cobradores de ônibus se queixavam de dor musculoesquelética no pescoço, enquanto a dor nos ombros atingia 15,4% dos profissionais, nos braços chegava a 13,3% e nas mãos, 6,3%. [4]

O fator psicológico da dor muscular

Embora os fatores físicos se destaquem no surgimento da dor muscular, é preciso levar em consideração a importância do estresse, que pode ser suficiente para provocar dores musculares. No entanto, o fator psicológico como causa da dor muscular representa um desafio, porque as pessoas tendem a ser mais resistentes a reconhecer os danos físicos do estresse emocional. [5]

No longo prazo, o estresse pode trazer consequências graves para a saúde. É preciso permanecer atento aos sintomas para evitar o desenvolvimento da síndrome de Burnout, por exemplo, que é o esgotamento físico e mental, resultado do estresse crônico, e que tem as dores musculares como um de seus principais sintomas. [5]

Quanto maior o estresse no ambiente de trabalho, maior é a prevalência de sintomas osteomusculares entre os funcionários - os chamados DORT, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Esses fatores psicossociais podem estar ligados ao clima encontrado no ambiente profissional, como falta de organização, suporte e autonomia. [6]

TAGS : Dor muscular, Dorflex

Referências:

[1] Mense S. Muscle pain: mechanisms and clinical significance. Deutsches Ärzteblatt International. 2008 Mar; 105(12): 214–219. - Consultado em 19/11/2020
[2] Salleh MR. Life Event, Stress and Illness. The Malaysian Journal of Medical Sciences. 2008 Oct; 15(4): 9–18. - Consultado em 23/11/2020
[3] Tricoli V. Mecanismos envolvidos na etiologia da dor muscular tardia. Revista Brasileira de Ciência & Movimento. 2001;9:39-44. - Consultado em 18/11/2020
[4] Simões MRL, Assunção AA, Medeiros AM. Dor musculoesquelética em motoristas e cobradores de ônibus da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva. 0361/2016. - Consultado em 23/11/2020
[5] Farias SMC, Teixeira OLC, Moreira W, et al. Caracterização dos sintomas físicos de estresse na equipe de pronto atendimento. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2011 Junho; v. 45, n. 3, p. 722-729. - Consultado em 23/11/2020
[6] Almeida LMS, Dumith SC. Associação entre sintomas osteomusculares e estresse percebido em servidores públicos de uma Universidade Federal do Sul do Brasil. BrJP. 2018 Mar; v. 1, n. 1, p. 9-14. - Consultado em 23/11/2020

MAT-BR-2004433

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