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Febre em criança: conheça as principais causas e riscos desse sintoma comum na infância

A febre não é uma doença, mas um sinal de alerta de que algo não está bem no organismo. Ou seja, é uma reação a uma variedade de estímulos definida pelo aumento da temperatura corporal e se caracteriza pela temperatura axilar acima de 37,8ºC. [1]

Na maioria das vezes, é causada por infecções que costumam ser virais autolimitadas ou bacterianas não complicadas. [2] Evidências sugerem que a febre em si não é perigosa e pode ser considerada benéfica para a resposta imunológica a infecções. [3]

Conheça as peculiaridades da febre em criança

Na infância, a febre é um sintoma comum. Em cerca de 90% dos casos, a febre em criança é causada por infecções virais que afetam as vias respiratórias superiores (gripes e resfriados) e por enterites (inflamação do intestino delgado que pode afetar o estômago, causando gastroenterite, ou o intestino grosso, com o aparecimento da colite). [4]

Dentre as infecções bacterianas mais frequentes estão otites, pneumonias e infecções do trato urinário. Já a meningite e a sepse são consideradas mais graves e costumam aparecer em apenas 1% dos casos de febre em criança, especialmente em bebês com menos de três meses de idade. Ao contrário do que se pensa, o nascimento dos dentes não provoca o surgimento do sintoma. [4]

A chamada febre de origem obscura, com duração de vários dias sem motivo aparente, também tem causas infecciosas em cerca de metade dos casos, mas 9% dos quadros estão associados a doenças reumáticas e 6% a neoplasias. Há ainda uma quarta parte que se resolve sem diagnóstico. [4]

Na atenção primária, a febre está associada a infecções bacterianas graves em menos de 1% dos casos. Por outro lado, quando se trata dos serviços de emergência, essa associação sobe para até 25% dos casos. [4]

Febre alta em criança oferece risco à vida?

A febre alta em criança é considerada a partir de 39,5ºC e costuma oferecer risco em crianças muito debilitadas, cardiopatas ou com insuficiência respiratória. Se estiver acompanhada de tremores de frio, sugere infecção bacteriana. Quando o estado infeccioso é acentuado, podem existir outros sintomas, como falta de apetite, irritabilidade alternada com sonolência, letargia, apatia, choro inconsolável e falta de disposição. [5]

O bebê que está sendo amamentado pode ter febre alta ao apresentar irritações acentuadas nos casos de roséola, infecção viral em que erupções de pele aparecem subitamente após três dias de febre e coincidem com a queda brusca da temperatura. [5]

Como baixar a febre

A febre é um dos sintomas mais preocupantes para pais e cuidadores, que costumam relacionar a falta de tratamento a danos cerebrais, convulsões e morte, apesar das evidências dizerem que isso não costuma acontecer. [6] Esse medo exagerado e até irracional é chamado de febrefobia e pode levar ao uso inapropriado de medicamentos e à busca precoce de atendimento médico, até mesmo em horários não convencionais. [3][4]

Normalmente, a febre pode ser observada ou tratada em casa, com o objetivo de aliviar os sintomas. A recomendação para uso de antitérmicos em crianças deve ser feita quando a febre está associada a desconforto evidente (choro intenso, irritabilidade, redução da atividade e do apetite, distúrbio do sono) e não baseado em um número predeterminado. [1] Vale ressaltar que é importante sempre consultar um médico antes de iniciar o uso de qualquer medicamento.

Muitos métodos físicos para reduzir a febre são feitos pelos pais, mas essas medidas não são indicadas. Embora seus efeitos sejam rápidos, eles não são duradouros e podem causar desconfortos, como calafrios e irritabilidade. Assim, oferecem poucas vantagens diante do uso das medicações. [1]

Portanto, não se deve tomar banho de água fria, nem adicionar álcool, que pode ser absorvido pela pele e ocasionar efeitos tóxicos. Além disso, vale estimular a criança a tomar líquidos (água, chá, suco), a usar roupas leves e a ficar em um ambiente ventilado ou ao ar livre, sem exposição direta ao sol. [5]

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Referências:

[1] Fernandes TF. Febre não é doença, é um sinal. Sociedade de Pediatria de São Paulo. Recomendações - Atualização de Condutas em Pediatria. Abril 2019; 87: 6-9. - Consultado em 28/12/2020
[2] Torreggiani S, Filocamo G, Esposito S. Recurrent Fever in Children. International Journal of Molecular Sciences. 2016 Apr;17(4):448. - Consultado em 28/12/2020
[3] Urbane UN, Likopa Z, Gardovska D, Pavare J. Beliefs, Practices and Health Care Seeking Behavior of Parents Regarding Fever in Children. Lithuanian University of Health Sciences. Journal of Lithuanian Medical Association - Medicina (Kaunas). 2019 Jul; 55(7):398. - Consultado em 23/12/2020
[4] Blank D. Febre e febrefobia: educação, abordagem e manejo. In: Ferreira JP (ed.). Pediatria prática. São Paulo. 2020. - Consultado em 23/12/2020
[5] Murahovschi J. A criança com febre no consultório. Sociedade Brasileira de Pediatria. Jornal de Pediatria. 2003; 79(Supl.1):55-64. - Consultado em 23/12/2020
[6] Barbi E, Marzuillo P, Neri E, Naviglio, Krauss BS. Fever in Children: Pearls and Pitfalls. Multidisciplinary Digital Publishing Institute Children. 2017 Sept; 4(9):81. - Consultado em 23/12/2020

MAT-BR-2100241

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